Ao chegar a uma agência do Sistema Nacional de Empregos (Sine) no Centro do Rio, a jovem Hayana de Oliveira, de 18 anos, esperava ser enviada para uma entrevista e, quem sabe, conseguir uma vaga. Sua busca, porém, foi mais simples. Sua atual chefe a encontrou na fila e a chamou para começar a trabalhar de imediato como atendente de seu restaurante. Isso ocorreu porque seu cargo é um dos dez que representam 55% das 44.569 oportunidades oferecidas nas 55 agências do sistema. São áreas em que, para trabalhar, basta querer.
Essa abundância de oportnidades é resultado da redução de desemprego no Rio. A Região Metropolitana do Rio registrou uma taxa de desocupação de 5,6% — menor do que a média nacional, de 6,7% — em 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): um recorde histórico. Se a situação já pode ser considerada boa, a tendência é melhorar ainda mais, segundo o secretário estadual de Trabalho, Brizola Neto.
— Temos grandes investimentos sendo feitos, como os da Copa do Mundo de 2014 e os das Olimpíadas de 2016, sem contar o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). Todos vão demandar muitas vagas, exigindo mais formação dos trabalhadores e pagando melhores salários — explicou o secretário.
A professora de administração pública Maria Zélia de Almeida Souza, do Ibmec, explica que, ao se criar uma vaga que exige conhecimento técnico elevado, são abertas outras correlatas.
— Em uma obra, para cada engenheiro, existem diversos operários, por exemplo. Assim, a tendência é que fique cada vez mais fácil conseguir empregos que exigem apenas ensino médio, sem formação específica. Mas, é claro, aqueles que buscarem capacitação terão as melhores oportunidades — disse Maria Zélia.

Foco nas áreas de serviço e construção civil
Com a expectativa de que a demanda por profissionais cresça cada vez mais no Rio, a Secretaria estadual de Trabalho e Renda prepara uma série de medidas voltadas para os setores de serviço e construção civil. No primeiro caso, o foco será a área de turismo. Em fevereiro, deverão ser anunciadas cerca de 12 mil vagas para o programa Projovem Trabalhador, cujo foco principal será na formação de mão de obra para atender à demanda que surgirá com a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
— Essas vagas são parte de um acordo com o governo federal. Também trabalhamos em outras frentes, como no caso da Petrobras, com quem buscaremos a ampliação do Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural) — disse o secretário estadual de Trabalho, Brizola Neto.
Para o coordenador da área de economia aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV), Armando Castelar, investir na capacitação é a única forma de manter o crescimento sustentável:
— Temos um gargalo, que é a falta de mão de obra qualificada. É um problema nacional, mas o estado que estiver a frente conseguirá atrair investimentos que poderiam ter ido para outro.
Estado está próximo do pleno emprego
Uma das metas de qualquer economia, o pleno emprego é o estado em que há oferta e a demanda de vagas entra em equilíbrio. A situação carioca, com taxa de 5,6%, já estaria próxima a essa meta, mas para o gerente da pesquisa de emprego do IBGE, Cimar Azeredo, a análise deve ser feita nacionalmente.
— Como falar em pleno emprego num país com diferenças regionais tão grandes? — disse Azeredo, citando o fato de que há regiões metropolitanas onde o desemprego está em 11%, como a de Salvador.
A atendente Suelle Nogueira, de 25 anos, mesmo sem conhecer a ideia do pleno emprego, acredita que já é possível encontrar emprego no Rio se quiser:
— Eu recusei uma vaga por ser longe da minha casa. Depois, não tive problemas de encontrar outra, que era exatamente o que eu queria.
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