domingo, 30 de janeiro de 2011

Mercado exige qualificação

ovens que buscam colocação no mercado de trabalho têm a capacitação como diferencial entre os candidatos
Estudante Ludierlly Borghesine, 15, está com emprego em vista depois de vários treinamentos para se qualificar

Vívian Lessa
Da Redação

Entrar no mercado de trabalho exige cada vez mais qualificação. As longas horas de estudo podem tanto ampliar o conhecimento quanto render um bom emprego no futuro, principalmente para os jovens que ainda não tiveram uma experiência profissional. Com a carteira de trabalho na mão, o estudante Linquer Ferreira de Azevedo,18, sabe que conseguir uma colocação pode não ser uma tarefa fácil de ser cumprida. Por esse motivo, ele foi atrás da capacitação. Antes de terminar o terceiro ano do Ensino Médio, o jovem deu início à maratona de entregar currículos nas empresas. "Seja para vendedor, assistente administrativo ou qualquer outro emprego eu aceito. O importante é começar a trabalhar".

Assim como ele, muitos outros jovens têm buscado um vaga em Mato Grosso. No Sine, diariamente formam-se filas de pessoas à procura de emprego. A falta de qualificação restringe o número de candidatos por cada cargo disponível. "Hoje dia, a experiência profissional não é requisito mínimo para eliminar concorrentes. O que pesa é a capacitação", afirma a superintendente do Sistema Nacional de Emprego (Sine), Ivone Rosset.

A estudante Cristiane Benedita Gomes da Costa, 24, estreante no mercado formal de emprego, também entende a importância da qualificação. Segundo ela, a necessidade do curso surgiu quando muitas empresas fecharam as portas alegando falta de experiência. "Se capacitar é a melhor maneira para quem deseja conquistar uma vaga".

A preparação profissional também é necessária para aqueles que desejam mudar de profissão. A frentista, Fabiana Cardoso dos Santos, 28, tem o sonho de ser farmacêutica e resolveu fazer um curso para trabalhar na área. Ela conta que tem encontrado dificuldade de ingressar no segmento pretendido por falta experiência. "Acredito que a capacitação é um meio de conseguir essa vaga".

Para a estudante Ludierlly Borghesine, 15, o caminha já está trilhado. Ela está com emprego em vista. No entanto, lembra que a oportunidade só surgiu após a comprovação de cursos de qualificação como informática, telemarketing, entre outros.

A contratação de jovens no mercado para o primeiro emprego não é novidade no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), tanto que o ministro, Carlos Lupi, defende a manutenção de políticas de incentivo à contratação de jovens, já que na avaliação dele, o primeiro emprego é o "maior desafio" do país na área do trabalho. "As vagas naturalmente costumam ir para quem já têm alguma experiência. Mas como o jovem vai ter experiência sem oportunidade? É preciso romper esse ciclo vicioso e qualificar essa mão de obra. O país está crescendo e mais vagas vão surgir".

Se depender das escolas, o número de qualificados é suficiente para atender a demanda das empresas. Em Mato Grosso, 40 mil pessoas foram capacitadas somente em 2010, em cursos oferecidos pelo Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O Cebrac, por exemplo, oferece cursos direcionados para quem, justamente, busca do primeiro emprego. "O curso de assistente administrativo pode ser aplicado em 20 profissões diferentes", conta o gerente comercial, Sérgio Bignardi. Conforme ele, a procura tem sido grande. "A cada ano capacitamos cerca de 4 mil alunos".

Já o Senai, trabalha com o programa de Aprendizagem Industrial, que foi criado para qualificar jovens aprendizes que buscam o oportunidade no segmento. Em 2010, foram 1,5 mil alunos formados em diversas áreas tecnológicas, como gestão, metalmecânica, eletroeletrônica, telecomunicações, alimentos, informática e construção. A duração dos cursos varia entre 1 a 2 anos.

No Senac, a capacitação profissional chegou para 34,782 mil pessoas por meio do Programa Senac de Gratuidade (PSG). A diretora de Educação Profissional da entidade, Paula Fernandes Batista, explica que a previsão é que sejam capacitados mais 27,178 mil alunos este ano. Ela ressalta que 16,49% das pessoas que fazem cursos de capacitação na unidade estão em busca do primeiro emprego e têm idade entre 16 e 24 anos.

Dando continuidade aos cursos de capacitação, algumas empresas se comprometem a contratar os profissionais recém-formados. Em uma empresa do segmento sucroalcooleiro, a qualificação vem antes de assinar a carteira. A analista de Recursos Humanos (RH) da empresa, Patrícia de Lima, explica que os investimentos para o desenvolvimento e capacitação de mão de obra são necessários para que o empregado tenha possibilidade de crescimento dentro da empresa. Ela conta que em 2011 são 60 aprendizes, divididos entre as turmas de mecânica, eletricista e mantenedor de sistemas de automação industrial.

Em outra empresa, do setor metalúrgico, a efetivação do jovem aprendiz chega a 85% do total de contratados. A responsável pelo RH da empresa, Viviana Borges, conta que a ordem é se capacitar e aproveitamento da mão de obra. Ela destaca que a pró-atividade e o interesse do trabalhador são itens fundamentais para a permanência na empresa.

Fonte: http://www.gazetadigital.com.br/materias.php?codigo=282835&codcaderno=2&GED=6995&GEDDATA=2011-01-30&UGID=b5ceb1f07de4b4d49be14c2c3df8343c

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