| ovens que buscam colocação no mercado de trabalho têm a capacitação como diferencial entre os candidatos |
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Vívian Lessa
Da Redação
Entrar no mercado de trabalho exige cada vez mais qualificação. As longas horas de estudo podem tanto ampliar o conhecimento quanto render um bom emprego no futuro, principalmente para os jovens que ainda não tiveram uma experiência profissional. Com a carteira de trabalho na mão, o estudante Linquer Ferreira de Azevedo,18, sabe que conseguir uma colocação pode não ser uma tarefa fácil de ser cumprida. Por esse motivo, ele foi atrás da capacitação. Antes de terminar o terceiro ano do Ensino Médio, o jovem deu início à maratona de entregar currículos nas empresas. "Seja para vendedor, assistente administrativo ou qualquer outro emprego eu aceito. O importante é começar a trabalhar".
Assim como ele, muitos outros jovens têm buscado um vaga em Mato Grosso. No Sine, diariamente formam-se filas de pessoas à procura de emprego. A falta de qualificação restringe o número de candidatos por cada cargo disponível. "Hoje dia, a experiência profissional não é requisito mínimo para eliminar concorrentes. O que pesa é a capacitação", afirma a superintendente do Sistema Nacional de Emprego (Sine), Ivone Rosset.
A estudante Cristiane Benedita Gomes da Costa, 24, estreante no mercado formal de emprego, também entende a importância da qualificação. Segundo ela, a necessidade do curso surgiu quando muitas empresas fecharam as portas alegando falta de experiência. "Se capacitar é a melhor maneira para quem deseja conquistar uma vaga".
A preparação profissional também é necessária para aqueles que desejam mudar de profissão. A frentista, Fabiana Cardoso dos Santos, 28, tem o sonho de ser farmacêutica e resolveu fazer um curso para trabalhar na área. Ela conta que tem encontrado dificuldade de ingressar no segmento pretendido por falta experiência. "Acredito que a capacitação é um meio de conseguir essa vaga".
Para a estudante Ludierlly Borghesine, 15, o caminha já está trilhado. Ela está com emprego em vista. No entanto, lembra que a oportunidade só surgiu após a comprovação de cursos de qualificação como informática, telemarketing, entre outros.
A contratação de jovens no mercado para o primeiro emprego não é novidade no Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), tanto que o ministro, Carlos Lupi, defende a manutenção de políticas de incentivo à contratação de jovens, já que na avaliação dele, o primeiro emprego é o "maior desafio" do país na área do trabalho. "As vagas naturalmente costumam ir para quem já têm alguma experiência. Mas como o jovem vai ter experiência sem oportunidade? É preciso romper esse ciclo vicioso e qualificar essa mão de obra. O país está crescendo e mais vagas vão surgir".
Se depender das escolas, o número de qualificados é suficiente para atender a demanda das empresas. Em Mato Grosso, 40 mil pessoas foram capacitadas somente em 2010, em cursos oferecidos pelo Centro Brasileiro de Cursos (Cebrac), Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). O Cebrac, por exemplo, oferece cursos direcionados para quem, justamente, busca do primeiro emprego. "O curso de assistente administrativo pode ser aplicado em 20 profissões diferentes", conta o gerente comercial, Sérgio Bignardi. Conforme ele, a procura tem sido grande. "A cada ano capacitamos cerca de 4 mil alunos".
Já o Senai, trabalha com o programa de Aprendizagem Industrial, que foi criado para qualificar jovens aprendizes que buscam o oportunidade no segmento. Em 2010, foram 1,5 mil alunos formados em diversas áreas tecnológicas, como gestão, metalmecânica, eletroeletrônica, telecomunicações, alimentos, informática e construção. A duração dos cursos varia entre 1 a 2 anos.
No Senac, a capacitação profissional chegou para 34,782 mil pessoas por meio do Programa Senac de Gratuidade (PSG). A diretora de Educação Profissional da entidade, Paula Fernandes Batista, explica que a previsão é que sejam capacitados mais 27,178 mil alunos este ano. Ela ressalta que 16,49% das pessoas que fazem cursos de capacitação na unidade estão em busca do primeiro emprego e têm idade entre 16 e 24 anos.
Dando continuidade aos cursos de capacitação, algumas empresas se comprometem a contratar os profissionais recém-formados. Em uma empresa do segmento sucroalcooleiro, a qualificação vem antes de assinar a carteira. A analista de Recursos Humanos (RH) da empresa, Patrícia de Lima, explica que os investimentos para o desenvolvimento e capacitação de mão de obra são necessários para que o empregado tenha possibilidade de crescimento dentro da empresa. Ela conta que em 2011 são 60 aprendizes, divididos entre as turmas de mecânica, eletricista e mantenedor de sistemas de automação industrial.
Em outra empresa, do setor metalúrgico, a efetivação do jovem aprendiz chega a 85% do total de contratados. A responsável pelo RH da empresa, Viviana Borges, conta que a ordem é se capacitar e aproveitamento da mão de obra. Ela destaca que a pró-atividade e o interesse do trabalhador são itens fundamentais para a permanência na empresa.
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